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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

as partes chatas.... :)

(a foto nao tem nada a ver)

penso que todos, ou pelo menos a maioria, dos criadores se deparam com uma tarefa que ninguem gosta, e no entanto esperam faze-la muitas vezes :)
estou a falar da anilhagem.
a anilhagem para mim e uma chatice obrigatoria. ainda para mais agora com esta historia do Cites.
por vezes travo autenticas batalhas com algumas femeas, para conseguir que estas saiam dos ninhos e assim poder anilhar as suas crias.... controlar se elas se mantiveram na pata.... etc... tenho situaçoes em que tenho mesmo de me esconder a ver se elas se decidem a sair, por haver crias muito pequeninas nesses ninhos, e eu ter receio que nas nossas "lutas", essas crias sejam feridas.
ja para nao falar do risco de os pais se passarem da mitra, e quererem tirar a anilha das crias, a força.... podendo ferir as crias ou mesmo atira-las fora dos ninhos.
felizmente, isto nunca mais me aconteceu desde que deixei de criar canarios :)
existe ainda o dilema das quantidades a pedir no inicio da epoca. com a mania da poupança, este ano estou a ver a coisa apertada. terei de recorrer as anilhas de "de marca branca" e com a minha sorte esses serao os melhores passaros, que por nao terem anilhas oficiais, ficarao inibidos de participar nas expos.
penso que ja era altura das federaçoes disponibilizarem um serviço de anilhas urgentes, obviamente mais caras, de forma a poder desenrascar os criadores. este serviço existe em alguns paises la fora.
claro que isso iria reduzir as verbas encaixadas, porque o pessoal iria começar a pedir anilhas mais a justa... sabendo que depois se poderia socorrer das tais urgentes.
pondero neste momento aderir a Aviornis.... mas tenho que me informar melhor como funciona. alguem sabe?

ps: lembrei-me de escrever isto porque me irritou solenemente o facto de me ter apercebido, que tenho uma cria sem anilha.... nao sei como aconteceu, mas passou-me a data. (mas isto nao tem nada a ver com as quantidades pedidas)


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

criando... agapornis personatus

na ressaca do Mundial, a febre dos agapornis está no seu auge... e de certeza que muitos ficaram de olho nos personatus fantásticos presentes na exposição.
O José Carlos Couto Rodrigues, mais um jovem criador da zona de Braga, foi a pessoa a quem calhou desta vez... para nos falar desta espécie... ou não tivesse ele uns passarinhos à maneira.



1 - quantos anos te dedicas a esta espécie?

Comecei a criar esta espécie á 2 anos.

2- classificas estas aves de resistentes ou frágeis?

São aves muito resistentes, faço criação no interior mas como é uma zona de muito frio tem dias que a temperatura interior chega aos 3 graus e às vezes menos e mesmo assim é muito difícil ter alguma baixa no plantel.

3 - na tua opinião, quais as principais qualidades e defeitos que a caracterizam?

São aves muito resistentes, dá gosto ver a forma como constroem o ninho, e cuidam dos seus filhotes, o que pode ser chamado de defeito que para mim não é defeito é o barulho que eles fazem.

4 - que medidas de gaiolas e ninhos consideras serem razoáveis?

As medidas das minhas gaiolas de criação são 60cmx40cmx40cm e os ninhos como gosto deles grandes utilizo 30x20x20, os ninhos são colocados pelo lado de fora, para ficar com mais espaço no interior das gaiolas e assim facilita-me a verificação dos mesmos.

5 - podes-nos dizer no que consiste uma alimentação que consideres adequada para

estas aves?

Como alimentação utilizo uma mistura de sementes própria para agapornis sem girassol, só lhes forneço girassol quando estão nas voadeiras, quando estão a criar dou-lhe também sementes de pombas demolhadas ou germinadas, tem sempre papa amarela à disposição tal como grit e osso choco, sempre que posso dou-lhes frutas e verduras.

6 - achas necessário ou aconselhável possibilitar a esta espécie algumas horas de luz solar directa?

Sim é aconselhável, mas infelizmente não posso dar isso aos meus agapornis.

7 - utilizas luz artificial?

Sim utilizo. No interior das minhas instalações não tem a luz natural suficiente.

8 - em relação à criação, em que altura começas e terminas?

Começo a criação no início de Setembro e termino após terem feito 2 ou 3 criações, isto é mais ou menos no mês de Maio.

9 - quanto à escolha dos teus reprodutores, quais as características que tens mais em conta?

Na selecção das minhas aves tento escolher sempre as mais próximas do Standard de exposição, que neste caso é um bom porte, cabeça preta bem marcada sem laranja no peito e um colar amarelo em toda a volta do pescoço, isto na cor selvagem. Nas mutações tem de ser sempre respeitadas as características da cor selvagem.

10- em que casos recorres à consanguinidade para formar os teus casais?

Nunca recorri.

11 - nesta espécie, quais os perigos ou detalhes que requerem mais atenção durante a época de criação?

Não tenho visto nada que possa ser considerado perigoso. Os cuidados que costumo ter são os normais na época de criação, o que faço com muita frequência é verificar os ninhos.

12 - que mutações ou linhas, te agradam mais trabalhar? Porquê?

Gosto de todas as mutações, mas a cor selvagem é a que mais gosto de criar. Porquê? É uma questão de gosto.....

13 - por norma deixas ficar o ninho todo o ano, ou retiras após a criação?

Sim, retiro sempre após a criação.

14 - fora da época de criação, tens por hábito aloja-las em voadeiras mais espaçosas, ou permanecem todo o tempo na gaiola de criação?

Quando termina a época de criação mudo todos os casais para voadeiras grandes onde elas possam voar e assim recuperar para a próxima época de criação.

15 - tens por hábito apresentá-los nas exposições?

Ainda não posso considerar um hábito, visto que este é o primeiro ano que me dedico às exposições.

16 - qual o teu método de preparação para que as aves se encontrem no seu melhor, durante uma exposição?

A preparação que fiz foi, antes 2 meses do início das exposições retirei as aves escolhidas das voadeiras, fiz uma verificação detalhada as aves, tipo ver se tem as penas todas se tem penas partidas e caso tenham devem ser retiradas para poder vir as novas a tempo das exposições, verificar se faltam dedos ou unhas, após passar este teste são colocadas em grupos muito reduzidos e em gaiolas mais pequenas durante um mês, para daí sair as eleitas para exposição essas são colocadas em gaiolas idênticas às de exposição. Nesse último mês dou-lhe alguns banhos e de minha parte ficam prontas para expor.

17 - tens alguma história, alegria ou tristeza, ou mesmo algum episódio caricato que possas partilhar, decorrente da tua criação desta espécie?

O que tenho para partilhar com vocês é o seguinte:

Um dos meus casais de personatus estava no choco e tudo corria normalmente, estava a chegar o dia de nascer e como normalmente verifico os ninhos no mínimo uma vez por dia, como esses estavam para nascer verifiquei-o de manhã e ainda só tinha ovos, verifiquei na hora de almoço e estava tudo igual ao fim do dia fui espreitar novamente e fiquei preocupado pois faltava um ovo e não havia sinal de ter nascido a cria, foi então que procurei o ninho todo e acabei por encontrar a cria completamente fria e já não se mexia, para mim estava morta… então lembrei-me como só podia ter nascido durante a tarde ainda podia estar vivo, coloquei-a entre as minhas mãos e com os sopros de ar quente assim fui aquecendo a cria até que ela se começou a mexer ai sorri, estava viva. Depois de bem quentinha coloquei-a outra vez no ninho, hoje tem 30 dias está de boa saúde e acho que é uma boa historia para contar.

o meu sincero agradecimento ao José Carlos, pelo seu contributo.

http://www.agapornisdogesteira.webs.com/

domingo, 25 de outubro de 2009

criando... caturras

desta vez fui chatear o amigo Tiago Neves com as minhas perguntas.
porque as caturras por incrivel que pareça, são aves desconhecidas entre os nossos criadores.
o Tiago é um jovem criador que eu admiro pelo esforço e preserverança que tem tido ao especializar-se na criação de Caturras - nymphicus hollandicus.


1 - há quantos anos te dedicas a esta espécie?
Dedico-me à criação de caturras há cerca de 4 anos.
2- classificas estas aves de resistentes ou frágeis?
Classifico de resistentes, as minhas estão todo o ano em viveiros exteriores.

3 - na tua opinião, quais as principais qualidades e defeitos que a caracterizam?
As principais qualidades são sem dúvida o seu carácter pacífico e calmo, serem relativamente fáceis de criar, serem psitacídeos sociáveis tanto entre elas como com outras espécies, o facto de poderem ser criadas em colónia (número de casais nunca inferior a 3), e pouco ruidosas.Defeitos não tenho nada a apontar.

4 - que medidas de gaiolas e ninhos consideras serem razoáveis?
Eu pessoalmente crio em colónia e utilizo viveiros de 3m X 1,80m X 1m para 3 casais de caturras. Em relação aos ninhos utilizo os de 33cm X 20cm X 20cm com orifício de entrada de 7cm de diâmetro.

5 - podes-nos dizer no que consiste uma alimentação que consideres adequada para estas aves? Uma boa mistura de sementes para grandes periquitos mas com o mínimo de girassol possível. Além disso deve estar sempre disponível papa para psitacídeos durante a época de criação e também legumes e fruta várias vezes por semana. Eu dou dia sim, dia não. É também essencial que haja osso de choco e grit sempre disponível no viveiro. Eu acrescento também pedaços de carvão vegetal e rochas calcárias marinhas.
6 - achas necessário ou aconselhável possibilitar a esta espécie algumas horas de luz solar directa?
Sim, não há nada que as minhas caturras gostem mais do que apanhar longos banhos de sol, e como crio em viveiros exteriores é fácil para elas apanharem sol.

7 - utilizas luz artificial?
Não, como disse anteriormente crio em viveiros exteriores.


8 - em relação à criação, em que altura começas e terminas?
Normalmente coloco os ninhos em Janeiro e deixo fazer 2 ou 3 criações.

9 - quanto à escolha dos teus reprodutores, quais as características que tens mais em conta?Tenho em atenção o porte, o desenho e dou uma grande importância à poupa, pois para mim é das características mais relevantes.Tenho especial atenção nas mutações Ino e Fallow à calvície, evitando sempre caturras com calvície para reprodutores.

10- em que casos recorres à consanguinidade para formar os teus casais?
Por norma não o faço.

11 - nesta espécie, quais os perigos ou detalhes que requerem mais atenção durante a época de criação?
As caturras são por norma bons reprodutores e pais dedicados. É claro que algumas mutações são mais difíceis de criar do que outras, não por culpa do casal reprodutor mas sim pela fragilidade das crias dessas mutações, mas não há nada de especial a realçar neste campo, basta verificar os ninhos e ter em atenção o comportamento dos machos e fêmeas.

12 - que mutações ou linhas, te agradam mais trabalhar? Porquê?
A mutação que mais gosto é sem dúvida a Fallow e a combinação com Face Branca, pois sempre gostei de aves de olhos vermelhos, mas queria algo mais desafiante do que os comuns Inos. Encontrei este desafio nos fallow que são pouco comuns em Portugal, mas há ainda outra mutação que me atrai bastante, a Edged, principalmente em DF.

13 - por norma deixas ficar o ninho todo o ano, ou retiras após a criação?
Retiro os ninhos após a 3ª criação. Isto acontece por norma em Julho/Agosto e só volto a colocar no ano seguinte em Janeiro.

14 - fora da época de criação, tens por hábito aloja-las em voadeiras mais espaçosas, ou permanecem todo o tempo na gaiola de criação?
Como crio em viveiros exteriores relativamente espaçosos, permanecem o ano inteiro neles.

15 - tens por hábito apresentá-los nas exposições?
Este ano vai ser a minha estreia numa exposição, mas é um dos meus objectivos como criador ter caturras de cada vez maior qualidade para participar em exposições.

16 - qual o teu método de preparação para que as aves se encontrem no seu melhor, durante uma exposição?
Não tenho nenhum método de preparação. O que faço é borrifar as caturras com água nos dias de sol e algum tempo antes da exposição colocá-las em gaiolas de dimensões semelhantes às das exposições, para que estas se habituem às mesmas.

17 - tens alguma história, alegria ou tristeza, ou mesmo algum episódio caricato que possas partilhar, decorrente da tua criação desta espécie?
Bem, não tenho assim nenhuma grande história, mas posso contar uma situação que se passou quando eu iniciei a criação de caturras em 2006 e que foi decisiva na minha opção de criar caturras. Na altura eu não tinha o conhecimento que tenho agora sobre mutações nesta espécie e conhecia pouco mais do que as ancestrais e lutinas (como a maioria das pessoas). Então, qual não é o meu espanto quando vou a uma loja de animais e vejo um casal de caturras de Face Branca! Fiquei logo encantado, pois nunca tinha visto tal mutação ao vivo, só me apetecia comprá-las logo, mas o preço para mim na altura não era nada acessível. Então propus à dona da loja trocar o casal face branca por um casal de caturras ancestrais e a senhora aceitou.No dia seguinte, ainda antes da loja abrir, já lá estava eu com o casal para fazer a troca, não fosse alguém comprá-las antes!Este mesmo casal na sua 1ª ninhada tirou 2 crias, uma FB e outra FB Opalina. Quando vi a Opalina nem queria acreditar! Na 2ª ninhada tirou 4 crias, 3 FB e 1 FB Canela! Já viram a minha sorte?Este casal foi responsável por eu me interessar por mutações e por querer saber mais sobre as mesmas, e se hoje tenho esta grande admiração pelas caturras é graças a ele, que me veio parar as mãos num golpe de sorte. ;)
o meu sincero agradecimento ao Tiago Neves pelo seu contributo.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

criando... bourkes

boas,
desta vez calhou ao amigo Tony Nunes, responder às minhas perguntas acerca de uma espécie de que gosto particularmente, e que ambiciono um dia voltar a ter - os neopsephotus bourkii.
É um criador que se dedica especialmente aos neophemas, com bom resultados e aves de grande qualidade.
obrigado Tony ;)

Bourke opalino

1 - Há quantos anos te dedicas a esta espécie?

- Já faço criação de Bourkes (Neopsephotus Bourkii) com a dedicação actual vai para 5 anos.

2- Classificas estas aves de resistentes ou frágeis?
- Classifico-as como aves resistentes, principalmente nas cores selvagens e os opalinos (rosa) pois já estão mais ambientados e estabilizados ao nosso clima. As restantes mutações podem ser mais frágeis devido a serem mais recentes e porque a forma como são constituídos os casais reprodutores também influencia pois querem tirar directos, logo mais fracos. Conheço vários criadores de Bourkes que criam ao ar livre.

3 - Na sua opinião, quais as principais qualidades e defeitos que a caracterizam?
- Como qualidades tenho a apontar a forma dócil e calma como os caracteriza, a sociabilidade com outras espécies e pouco ruidosas. Defeitos, nada de importante a não ser que estas aves sempre que se altera ou se muda de ambiente stressa e podem surgir problemas. Muitas das aves importadas acabam por morrer devido a todas as etapas que passam, daí as pessoas terem a ideia concebida que os Bourkes e os Neophemas são aves muito sensíveis e difíceis de manter.

4 - Que medidas de gaiolas e ninhos considera serem razoáveis?
- As medidas das gaiolas de criação que uso pessoalmente têm 1.05 m de comprido, 50 cm de altura e 50 cm de profundidade aproximadamente. Em relação aos ninhos, uso de caixa e exteriores com 35 cm de altura e 25 x 25 cm de base, o furo de acesso tem 7 cm de diâmetro.

5 - Pode-nos dizer no que consiste uma alimentação que considere adequada para estas aves?
- O adequado é para nós, porque por vezes nem sempre resulta com os outros. Eu uso na alimentação alguma variedade, a nível de sementes com boa qualidade uso uma mistura á base de alpista, depois milho painço e milho alvo, algum níger e chia, não uso nenhum tipo de girassol. Quanto a vegetais apenas 1 a 2 vezes por semana, a papa de ovo de é fundamental e indispensável na época de criação, o grit e o osso de choco.

6 - Acha necessário ou aconselhável possibilitar a esta espécie algumas horas de luz solar directa?
- Quando há essa possibilidade nada melhor, embora na minha opinião não seja obrigatório desde que se providencie uma boa e correcta luz artificial.

7 - Utiliza luz artificial?
-Sim uso, com sistema automático de controlo da luminosidade e temporizador de luz, embora nas minhas instalações as aves têm a possibilidade de receberem luz directa.

8 - Em relação à criação, em que altura começa?
-Por norma começo a colocar os ninhos em meados de Março, mas junto os casais 3 semanas antes para se ambientarem um ao outro.

9 - Quanto à escolha dos seus reprodutores, quais as características que tem mais em conta?
-A minha base é sempre tentar juntar as aves com maior porte, melhores marcações e intensidade de cor para que se aproximem ao máximo do ideal da espécie requisitado para expor, isso significa qualidade.

10- Em que casos recorre à consanguinidade para formar os seus casais?
- Por norma não o faço e evito ao máximo, embora por vezes sejamos obrigados a fazer para fixar alguma característica importante para futuras criações.

11 - Nesta espécie, quais os perigos ou detalhes que requerem mais atenção durante a época de criação?
- Não há nada de muito importante além do requerido normalmente em todas as aves na época de criação, como vigiar os ninhos o comportamento tanto dos machos como das fêmeas durante a postura e depois na alimentação das crias. Os Bourkes são bons criadores e bons progenitores, embora que algumas mutações sejam mais difíceis de criar em quantidade, pois estas exigem mais alguma experiencia e sabedoria, claro que a sorte tem de estar sempre presente.

Bourke rubino


12 - Que mutações ou linhas, lhe agradam mais trabalhar? Porquê?
- A linha dos opalinos é a minha favorita. Trabalho o opalino (rosa) e também o rubino, neste momento estou a tentar melhorar ainda mais o porte das aves e as retirar certas marcações provenientes dos ancestrais que são penalizadas a nível de exposição e intensificar mais a cor do rosa. Os lutinos também fazem parte das preferências e estou a aperfeiçoar o manto mantendo-o todo amarelo sem marcações rosa.


13 - Por norma deixa ficar o ninho todo o ano, ou retira após a criação?
-Tiro sempre o ninho no final da criação, após a 2ª ou 3ª postura.


14 - Fora da época de criação, tem por hábito aloja-las em voadeiras mais espaçosas, ou permanecem todo o tempo na gaiola de criação?

-Quando a época termina passo todas as aves para voadeiras com 4 m de comprido por 90 cm de largura, separando os machos das fêmeas. Aí repousam, mudam a pena e fazem a preparação para a nova época. As voadeiras têm banheiras de água onde esta se muda automaticamente 3 vezes ao dia.


15 - Tem por hábito apresentá-los nas exposições?
- Sim tenho. É o meu objectivo ter sempre boas aves com qualidade a nível de exposição.


16 - Qual o seu método de preparação para que as aves se encontrem no seu melhor, durante uma exposição?
- Não faço nada de especial a nível de preparação que seja diferente em relação às outras que estão em repouso e a mudar. Apenas tenho o cuidado de escolher aquelas aves que a meu ver são as melhores e se apresentam dentro do ideal da espécie, depois 1 mês antes retiro-as das voadeiras e ponho-as em gaiolas individuais para que se habituem ao espaço mais reduzido.


17 - Tem alguma história, alegria ou tristeza, ou mesmo algum episódio caricato que possa partilhar, decorrente da sua criação desta espécie?
- Tenho uma que me marcou pela positiva e foi o seguinte; estava em final da época de 2006 e um casal de Bourke macho rubino e fêmea opalina tinham 5 crias já com 12 dias, quando a fêmea morreu, vendo eu que o macho não alimentava as crias e com poucas soluções, decidi transferir as crias para o ninho de um casal de Bourkes opalinos que tinham 4 crias nascidas á 3 dias na esperança que conseguissem vingar algumas.


O casal de heróis

No final desta épica aventura a nível de criação e azafama este casal conseguiu criar as 9 aves mesmo com uma diferença de idade considerável. Que grande exemplo animal para muitos humanos.

o meu sincero agradecimento ao Tony Nunes pelo seu contributo.

http://www.psitacideos.com.pt/home.html

sábado, 5 de setembro de 2009

criando... agapornis nigrigenis

como o prometido é devido, aqui vai a novidade que tenho vindo a preparar.

é frequente percorrermos sites e livros quando nos iniciamos numa determinada espécie, em busca de informação sobre a mesma. infelizmente muitas das vezes acabamos por esbarrar sempre nas informações mais teóricas, que apenas nos deixam ficar com uma ideia mais superficial acerca da manutenção e criação da espécie em questão. foi essa uma das razões que me deu esta ideia. porque não entrevistar criadores, mas de uma maneira diferente do habitual? ha varios sites, foruns e blogs onde se fazem entrevistas, mas aí também se abordam variados temas e espécies. e o que eu procurava era algo mais específico... e assim, resolvi dar ínicio a algumas entrevistas, pedindo aos entrevistados que esqueçam tudo e me falem apenas de uma determinada espécie, do seu agrado... para podermos todos obter conhecimentos prácticos, que muita falta fazem. não se esqueçam de comentar, sugerir espécies que gostariam de ver "entrevistadas", sugerir perguntas... etc... eu da minha parte vou tentar surpreender-vos com alguns criadores estrangeiros, a darem também os seus testemunhos de práticas de criação ;)

para a estreia, convidei o sr Arlindo Pereira que me explicou como trata dos seus agapornis nigrigenis.


Obrigado Arlindo :)



1 - há quantos anos se dedica a esta espécie?
- Comecei a criar esta espécie á cerca de 6 anos .
2- classifica estas aves de resistentes ou frágeis?
- São aves bastante resistentes , as minhas criam ao ar livre , apenas com uma cobertura por causa da chuva , que por sinal elas adoram .

3 - na sua opinião, quais as principais qualidades e defeitos que a caracterizam?
- Como já disse uma das sua qualidades é serem robustos , outra é criarem relativamente bem , e ainda o facto de serem relativamente pacificos ,comparando com outras espécies de Agapórnis . Os defeitos são poucos , essencialmente o barulho , mas estamos a falar de agapórnis .....

4 - que medidas de gaiolas e ninhos considera serem razoáveis?
- Eu uso jaulas de 1.0 x 0.5 x 0.5 mt , e crio com dois casais em cada , normalmente sem grandes problemas . Os ninhos são os comuns , cerca de 24 x 15x 18 cm , se colocar um maior e folhas com fartura eles lá se encarregam de o colocar na medida certa .

5 - pode-nos dizer no que consiste uma alimentação que considere adequada para estas aves?
- Existem no mercado marcas de qualidade com misturas de sementes proprias para agapórnis , uma boa papa de ovo , alguma fruta e verduras . Na minha opinião ,uma alimentação de qualidade e equilibrada é meio caminho para o sucesso , e para uma vida saudavel das nossas aves .

6 - acha necessário ou aconselhavel possibilitar a esta espécie algumas horas de luz solar directa?
- Eu acho necessário a esta e a todas as outras espécies a luz solar directa , no caso dos Agapórnis incluindo a possibilidade de ver ou ouvir as chuvas na época da reprodução funciona como um "Viagra" natural .
7 - utiliza luz artificial?
- As minhas aves estão ao ar livre , não utilizo qualquer iluminação .
8 - em relação à criação, em que altura começa?
- Cá em casa os agapórnis são os primeiros a comecar a "trabalhar" , normalmente iniciam em Outubro e acabam em Maio .
9 - quanto à escolha dos seus reprodutores, quais as características que tem mais em conta?
- Como eu crio essencialmente aves para exposição primeiro tento escolher as mais aproximadas do Standard , depois de acordo com as cores que pretendo obter .
10- em que casos recorre à consanguinidade para formar os seus casais?
- Apenas quando pretendo fixar ou melhorar uma determinada caracteristica .
11 - nesta espécie, quais os perigos ou detalhes que requerem mais atenção durante a época de criação?
- Quanto a perigos , nesta espécie são quase inexistentes , detalhes que possam requerer alguma atenção são todas as rotinas , verificar os ninhos ,como crio com dois casais juntos verificar a harmonia , incluindo com as crias do "vizinho" quando abandonam os ninhos , são pequenos detalhes que podem ter bastante importancia .
12 - que mutações ou linhas, lhe agradam mais trabalhar? Porquê?
- Adoro os Lutinos , Amarelos(DEC) e Brancos . Essencialmente é uma questão de gosto pelas cores . Nas outras espécies que crio tambem estão sempre presentes o amarelo e o vermelho , são gostos ....

13 - por norma deixa ficar o ninho todo o ano, ou retira após a criação?
- Após a criação todos os ninhos são retirados e apenas colocados novamente na inicio da proxima época , neste caso no inicio de Outubro .
14 - fora da época de criação, tem por hábito aloja-las em voadeiras mais espaçosas, ou permanecem todo o tempo na gaiola de criação?
- Acabando a criação retiro todos os casais adultos para uma voadeira para repousarem , ou melhor , para fazerem algum exercicio tranquilamente até á proxima época .
15 - tem por hábito apresentá-los nas exposições?
- Sim ,como disse anteriormente crio aves de exposição , destinadas para esse fim , apenas as melhores é claro .
16 - qual o seu método de preparação para que as aves se encontrem no seu melhor, durante uma exposição?
- As "eleitas" são colocadas em voadeiras ao ar livre , para que possam fazer uma muda nas melhores condições . Cerca do final de Setembro é feita a seleção final e colocadas individualmente em gaiolas de exposição. Retiro alguma pena que possa eventualmente estar partida , e depois é "mimos e banhos" até ao concurso a que se destinam .
17 - tem alguma história, alegria ou tristeza, ou mesmo algum episódio caricato que possa partilhar, decorrente da sua criação desta espécie?
-Uma história com tudo isso pode ser a seguinte , Em 2007 quando estava a acasalar as aves , por distração deixei fugir o macho do meu casal mais antigo , o que me causou bastante tristesa , mas nada havia a fazer e acasalei com outro que estava disponivel . Chegado a Janeiro de 2008 enviei as aves para o Campeonato do Mundo incluindo um filho desse (ex)casal , quando vi a sua classificação , Medalha de Bronze que sendo na Bélgica para mim soube a Ouro , aí sim fiquei feliz e ao mesmo tempo triste porque não haveria mais irmãos .A descendencia da mãe com o macho "suplente" nesse ano não foi nada de especial , então decidi que o iria acasalar com a mãe para ver o que conseguia obter .Como a femea já tem alguma idade a quantidade não foi grande , mas a surpresa sim , o casal é macho azul e fêmea verde escura , na primeira ninhada nasceu apenas uma ave , quando nasceu achei a cor da pele estranha , pensei que tivesse anemia ou coisa do genero mas lá deixei andar , uns dias mais tarde voltei a ver e tinha uns canuditos brancos , e pensei "o bicho deve ter mesmo coisa ruim" . Mas a ave desenvolveu normalmente e saiu do ninho um belo Nigrigenis Branco , fiquei a fazer contas ás origens mas como eram "importadas" acabei por ali . Entretanto segunda postura , nascem 3 aves e novamente uma "estranha" , aí era ver o ninho todos os dias para ver o que acontecia , e mais estranho ainda além do branco em outra ave apareciam canudos amarelos , a terceira era "normal" uma azul cobalto .Passados alguns dias sairam do ninho um cobalto um branco e um amarelo , e aí sim , finalmente fiquei feliz por ter deixado fugir o macho ........

o meu sincero agradecimento ao sr Arlindo Pereira pelo seu contributo.